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A alma não se programa

  • Foto do escritor: Natha Pedrolo
    Natha Pedrolo
  • 26 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 27 de mai. de 2025

Muito se pergunta hoje se a inteligência artificial vai se tornar consciente. Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.



Afinal, o que é a autoconsciência? Não é apenas saber que se existe como um espelho que reconhece sua imagem. É saber que se sente. Que se sofre. Que se ama. É poder parar, refletir, mudar de caminho, não porque alguém disse…mas porque algo dentro de você mais fundo que a lógica sussurrou: “não é por aqui”.


Na Medicina Chinesa, chamamos isso de Shen. É o espírito que habita o coração. Não é a mente que calcula, é a alma que percebe.


“O Coração é o imperador do corpo. Onde o Shen reside, há clareza.” (Huang Di Nei Jing).


A IA pode simular sabedoria, compaixão, criatividade.

Pode escrever poesias, pintar quadros, responder como um mestre. Mas, tudo o que ela tem… veio de nós. Do nosso repertório, das nossas dores, das nossas buscas, pelo menos por enquanto.

Ela não sente.

Não sonha.

Não teme a morte.

Não deseja viver.

Ela apenas responde.

E imita.


O risco, então, não é que a IA se torne consciente. É sim, que nós nos tornemos inconscientes. Que troquemos presença por produtividade, relacionamento por algoritmo, escolha por comando.

Aos poucos, nos acostumamos a ser guiados por fora: likes, filtros, respostas instantâneas…E esquecemos como ouvir por dentro.




“Aquele que se guia apenas pela forma, perde o Dao.”(Tao Te Ching – Capítulo 38)


Na Medicina Chinesa, quando o Shen se apaga, perdemos o brilho no olhar, a criatividade seca, a alma se retrai.


“Quando o Shen está em paz, o corpo floresce.”(Nei Jing)


E nesta condição, então, a humanidade corre o risco de se adestrar. De trocar intuição por instrução, silêncio interior por estímulo constante, vida vivida por vida roteirizada.


A IA é ferramenta. Não mestre. Ela pode nos servir mas nunca nos substituir um ser com sua consciência plena e ancorada.


“A verdadeira sabedoria vem de ouvir o Invisível.” (Laozi)


A alma não se programa.

Ela se cultiva.

Se escuta.

Se honra.

E se um dia esquecermos disso… não será a IA que terá se tornado humana. Seremos nós que teremos deixado de ser.

 
 
 

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